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	<title>Comentários sobre: A Verdade Não Existe</title>
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	<link>http://cadusimoes.com/2005/10/a-verdade-nao-existe/</link>
	<description>Histórias em Quadrinhos</description>
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		<title>Por: Leonardo T. Oliveira</title>
		<link>http://cadusimoes.com/2005/10/a-verdade-nao-existe/comment-page-1/#comment-4553</link>
		<dc:creator>Leonardo T. Oliveira</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 16:45:02 +0000</pubDate>
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		<description>É que na religião você não pode ter só um discurso engessado na esfera racional, você tem que ter uma coordenada à experiência. Ou seja: não é algo só pra ser entendido, mas pra ser experimentado - é aí que reside o seu sentido verdadeiro e último. Senão você é um historiador de religiões, e não um participante dela. MÃS... pra algo ser experimentado segundo uma intenção pré-concebida, esse algo também tem que ser entendido. Daí que as religiões &quot;vivas&quot; acabam dependendo de uma sistematização de conceitos, que no fim orientem a experiência do crente. E aí temos as duas partes dessa conversa: a religião com 1) um discurso de conceitos (programa-de-verdade, ou mesmo &quot; logos&quot; (&quot;No princípio era o logos&quot;), ao mesmo tempo que com 2) um sentido que se prolonga para a prática, para a experiência (que é a sedução sensorial do mythos), ou, enfim, para a crença verdadeira, para a resposta da fé.

Já o mitos simples e puro, antes de qualquer sistematização, é muito mais a parte do apelo sensorial do mythos, muito mais a parte da crença mesmo, do que a ponderação a um programa de verdade que o sustente. De modo que:

mito = apelo à crença (mythos)
religião = sistematização de conceitos (logos) + apelo à crença (mythos)

É o que me parece.

Desde já digo que fico feliz com a discussão, pois estou pensando em coisas novas com ela, e está sendo uma boa troca de comentários.

Saudações,
Leonardo</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>É que na religião você não pode ter só um discurso engessado na esfera racional, você tem que ter uma coordenada à experiência. Ou seja: não é algo só pra ser entendido, mas pra ser experimentado &#8211; é aí que reside o seu sentido verdadeiro e último. Senão você é um historiador de religiões, e não um participante dela. MÃS&#8230; pra algo ser experimentado segundo uma intenção pré-concebida, esse algo também tem que ser entendido. Daí que as religiões &#8220;vivas&#8221; acabam dependendo de uma sistematização de conceitos, que no fim orientem a experiência do crente. E aí temos as duas partes dessa conversa: a religião com 1) um discurso de conceitos (programa-de-verdade, ou mesmo &#8221; logos&#8221; (&#8220;No princípio era o logos&#8221;), ao mesmo tempo que com 2) um sentido que se prolonga para a prática, para a experiência (que é a sedução sensorial do mythos), ou, enfim, para a crença verdadeira, para a resposta da fé.</p>
<p>Já o mitos simples e puro, antes de qualquer sistematização, é muito mais a parte do apelo sensorial do mythos, muito mais a parte da crença mesmo, do que a ponderação a um programa de verdade que o sustente. De modo que:</p>
<p>mito = apelo à crença (mythos)<br />
religião = sistematização de conceitos (logos) + apelo à crença (mythos)</p>
<p>É o que me parece.</p>
<p>Desde já digo que fico feliz com a discussão, pois estou pensando em coisas novas com ela, e está sendo uma boa troca de comentários.</p>
<p>Saudações,<br />
Leonardo</p>
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		<title>Por: Cadu Simões</title>
		<link>http://cadusimoes.com/2005/10/a-verdade-nao-existe/comment-page-1/#comment-4552</link>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 14:30:30 +0000</pubDate>
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		<description>Mas eu também não diria que a crença na palavra é específica das religiões, no sentido de ser exclusiva delas, mas é certo dizer que todas as regiliões possuem esse tipo de crença, sem exceção, pois todas elas foram formadas a partir do mythos, e não do logos (eu pelo menos não conheço nenhuma religião criada a partir do logos). 

Aliás, uma questão que Veyne levanta nesse livro, e que na verdade não é dele, pois Aristóteles já dizia isso, é que religião nenhuma se sustenta intacta por muito tempo quando o logos começa a ser introduzido nela, pois ele é mais forte e sempre se impõe sobre o mythos. Ou seja, só existe religião no mythos, pois a partir do momento em que o logos começa a se impor através de sistematizações e formalizações como é o caso da teologia  (que literalmente é ver o theos pelo filtro do logos) ou a mitologia (nesse caso, o mythos filtrado pelo logos), ela passa também a depender de programas de verdade, como você disse (perdendo sua capacidade de enunciar a verdade absoluta), e assim vai deixando progressivamente de ser religião até restar apenas a sua parte filosófica e literária.

E Veyne diz que não por acaso foi justamente isso que aconteceu com a religião grega arcaica, que com a entrada progressiva do logos, acabou se transformando na filosofia e na literatura clássica que conhecemos.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Mas eu também não diria que a crença na palavra é específica das religiões, no sentido de ser exclusiva delas, mas é certo dizer que todas as regiliões possuem esse tipo de crença, sem exceção, pois todas elas foram formadas a partir do mythos, e não do logos (eu pelo menos não conheço nenhuma religião criada a partir do logos). </p>
<p>Aliás, uma questão que Veyne levanta nesse livro, e que na verdade não é dele, pois Aristóteles já dizia isso, é que religião nenhuma se sustenta intacta por muito tempo quando o logos começa a ser introduzido nela, pois ele é mais forte e sempre se impõe sobre o mythos. Ou seja, só existe religião no mythos, pois a partir do momento em que o logos começa a se impor através de sistematizações e formalizações como é o caso da teologia  (que literalmente é ver o theos pelo filtro do logos) ou a mitologia (nesse caso, o mythos filtrado pelo logos), ela passa também a depender de programas de verdade, como você disse (perdendo sua capacidade de enunciar a verdade absoluta), e assim vai deixando progressivamente de ser religião até restar apenas a sua parte filosófica e literária.</p>
<p>E Veyne diz que não por acaso foi justamente isso que aconteceu com a religião grega arcaica, que com a entrada progressiva do logos, acabou se transformando na filosofia e na literatura clássica que conhecemos.</p>
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		<title>Por: Leonardo T. Oliveira</title>
		<link>http://cadusimoes.com/2005/10/a-verdade-nao-existe/comment-page-1/#comment-4551</link>
		<dc:creator>Leonardo T. Oliveira</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 13:14:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://grilocaverna.homemgrilo.com/2005/10/26/a-verdade-nao-existe/#comment-4551</guid>
		<description>É que o Veyne está interessado em um caso específico de crença: aquela que contradiz a realidade. Por exemplo: a crença etíope de que o leopardo seria um animal cristão, e assim guardaria os jejuns da igreja ortodoxa. Nem por isso o etíope deixa de guardar o seu rebanho dos leopardos em dias de jejum, pois ele também sabe que o leopardo é um animal perigoso. Como fica isso? É aí que o Veyne fala que existe um tipo de crença em uma verdade que é, sim, tomada por absoluta, pois mesmo entrando em uma contradição lógica com outras verdades, mesmo sendo francamente incompatível com outras verdades, essa crença se mantém como algo à parte e sempre válida, e por isso é absoluta.

O cuidado que a gente tem que tomar é ao chamar esse tipo de crença específica de crença do &quot;âmbito da religião&quot;. Quando um texto religioso formaliza um sistema, uma teologia, ela passa a ter um cuidado muito maior com o que seja a vivência da verdade que prega, e que essa verdade seja tão eficiente quanto menos esbarrar em contradições na sua prática como modo de vida.

Então em que âmbito está aquele tipo de crença que contradiz a realidade pra se tornar absoluta? No âmbito do mito mesmo. Ou de suas variantes: lenda, fábula, etc. É o Papai Noel, é a versão concomitante de explicação de origem pra uma coisa. Etc. É verdade que muitas vezes a religião também impõe verdades assim, mas desde que a religião é formalizada ela costuma passar por uma elaboração discursiva, e daí ela também depender de um programa-de-verdade. O mito é que é um fenômeno muito mais solto, múltiplo e paradoxal, e na Grécia isso era bastante comum.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>É que o Veyne está interessado em um caso específico de crença: aquela que contradiz a realidade. Por exemplo: a crença etíope de que o leopardo seria um animal cristão, e assim guardaria os jejuns da igreja ortodoxa. Nem por isso o etíope deixa de guardar o seu rebanho dos leopardos em dias de jejum, pois ele também sabe que o leopardo é um animal perigoso. Como fica isso? É aí que o Veyne fala que existe um tipo de crença em uma verdade que é, sim, tomada por absoluta, pois mesmo entrando em uma contradição lógica com outras verdades, mesmo sendo francamente incompatível com outras verdades, essa crença se mantém como algo à parte e sempre válida, e por isso é absoluta.</p>
<p>O cuidado que a gente tem que tomar é ao chamar esse tipo de crença específica de crença do &#8220;âmbito da religião&#8221;. Quando um texto religioso formaliza um sistema, uma teologia, ela passa a ter um cuidado muito maior com o que seja a vivência da verdade que prega, e que essa verdade seja tão eficiente quanto menos esbarrar em contradições na sua prática como modo de vida.</p>
<p>Então em que âmbito está aquele tipo de crença que contradiz a realidade pra se tornar absoluta? No âmbito do mito mesmo. Ou de suas variantes: lenda, fábula, etc. É o Papai Noel, é a versão concomitante de explicação de origem pra uma coisa. Etc. É verdade que muitas vezes a religião também impõe verdades assim, mas desde que a religião é formalizada ela costuma passar por uma elaboração discursiva, e daí ela também depender de um programa-de-verdade. O mito é que é um fenômeno muito mais solto, múltiplo e paradoxal, e na Grécia isso era bastante comum.</p>
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	<item>
		<title>Por: Cadu Simões</title>
		<link>http://cadusimoes.com/2005/10/a-verdade-nao-existe/comment-page-1/#comment-4549</link>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 06:03:52 +0000</pubDate>
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		<description>Leonardo, tudo o que vc falou tem muita lógica e faz muito sentido, mas só se considerarmos que as regiliões também estão sujeitas a programas de verdades e funcionam sobre crença na fé de outro. Mas meu texto é baseado em Paul Veyne, e o que ele diz é justamente que as regiões não dependem de nenhum programa de verdade, pois o discurso delas está baseada no mythos, e não no logos. Só o logos depende de programas de verdade, no mythos a palavra carrega toda a autoridade ela mesmo, sem precisar de mais nada, nada mesmo. 

Então nessa modalidade de crença eu posso afirmar que &quot;o verbo era Deus&quot; e logo em seguinda afirmar totalmente o contrário &quot;o verbo não era Deus&quot; e ambas as afirmações continuam sendo verdade absoluta pois só dependem delas mesmas para serem.

Por fim, novamente nem meu texto e nem Paul Veyne dizem que não existe verdadeS, o que ele nega é &quot;A&quot; verdade, absoluta (ou A falsidade absoluta, ou ainda o próprio absoluto em si), e não há como ela existir senão justamente nas religiões, cuja modalidade de crença não depende de programas de verdade.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Leonardo, tudo o que vc falou tem muita lógica e faz muito sentido, mas só se considerarmos que as regiliões também estão sujeitas a programas de verdades e funcionam sobre crença na fé de outro. Mas meu texto é baseado em Paul Veyne, e o que ele diz é justamente que as regiões não dependem de nenhum programa de verdade, pois o discurso delas está baseada no mythos, e não no logos. Só o logos depende de programas de verdade, no mythos a palavra carrega toda a autoridade ela mesmo, sem precisar de mais nada, nada mesmo. </p>
<p>Então nessa modalidade de crença eu posso afirmar que &#8220;o verbo era Deus&#8221; e logo em seguinda afirmar totalmente o contrário &#8220;o verbo não era Deus&#8221; e ambas as afirmações continuam sendo verdade absoluta pois só dependem delas mesmas para serem.</p>
<p>Por fim, novamente nem meu texto e nem Paul Veyne dizem que não existe verdadeS, o que ele nega é &#8220;A&#8221; verdade, absoluta (ou A falsidade absoluta, ou ainda o próprio absoluto em si), e não há como ela existir senão justamente nas religiões, cuja modalidade de crença não depende de programas de verdade.</p>
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	<item>
		<title>Por: Leonardo T. Oliveira</title>
		<link>http://cadusimoes.com/2005/10/a-verdade-nao-existe/comment-page-1/#comment-4543</link>
		<dc:creator>Leonardo T. Oliveira</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 22:11:18 +0000</pubDate>
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		<description>1) Eu só tinha dito que o texto era mais sobre a existência de &quot;programas-de-verdade&quot; do que sobre a existência da &quot;verdade&quot;, prevenindo qualquer tom muito relativista e apocalíptico que negasse simplesmente a existência da verdade. A verdade existe, sim, desde que haja consenso acerca do programa-de-verdade/paradigma que torna seus termos francos pra aferição. Mas só quis comentar o tom do texto, não discordar do Cadu - ele mesmo, em seguida, comentou conforme eu já concordava nesse sentido.

2) Não achei que ele foi grosseiro em momento nenhum.

3) Agora sobre a religião: Cadu, o próprio exemplo que você usou é uma dedução que colhe o seu sentido das definições que existem na teologia cristã - &quot;o Verbo era Deus&quot; porque &quot;No início havia o Verbo e o Verbo estava com Deus&quot;. Esse &quot;Deus&quot; seria outro se lido sob o programa-de-verdade do budismo ou do hinduísmo, e essa afirmação teria outro sentido se não fosse a conseqüência da construção de discurso que começa a se dar desde o começo do Evangelho de João. Isso significa que pra que &quot;o Verbo era Deus&quot; seja sequer aferido como verdade, você depende de todo o programa-de-verdade do Cristianismo, sejá lá como você o reconstrua, e com que fontes consideradas.

Mas acho que a questão não é nem essa. Eu precisaria reler o Veyne, mas o que ele faz seria melhor resumido da seguinte maneira: pensar se alguém acredita ou não acredita numa coisa exige que você estude a) como a verdade pode tentar ser afirmada; e b) como as pessoas podem acreditar em uma afirmação de verdade. Que a consideração por b) leve o Veyne a pensar em como as pessoas acreditam na verdade não interfere no fato de que, com relação a a), mesmo a religião dependa de um programa-de-verdade pra afirmar uma verdade. Isso fica claro? São duas coisas diferentes, e a dependência de um programa-de-verdade está relacionado a a), ou seja, a se pensar que a tentativa de se afirmar uma verdade sempre depende, quando falamos no plano da racionalidade discursiva (e não no discurso subjetivo/artístico, por exemplo), de um programa-de-verdade.

Sobre as duas modalidades de crença, elas são bem funcionais ao que o Veyne queria mostrar, porque no fim não é muito fácil separar a crença: não é só na ciência ou nos guias turísticos que você depende de uma fé sobre a experiência de uma outra pessoa, mas na religião isso também é possível, caso você interprete que certa verdade religiosa foi a revelação a que o autor dessa asserção de verdade teve acesso.

Mas é um longo assunto. Só queria separar o a) e b) mesmo, pra que fique claro que a religião, ao formalizar qualquer coisa, também depende de um programa-de-verdade. A parte da crença é posterior a essa questão.

Abraços.
Leonardo</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>1) Eu só tinha dito que o texto era mais sobre a existência de &#8220;programas-de-verdade&#8221; do que sobre a existência da &#8220;verdade&#8221;, prevenindo qualquer tom muito relativista e apocalíptico que negasse simplesmente a existência da verdade. A verdade existe, sim, desde que haja consenso acerca do programa-de-verdade/paradigma que torna seus termos francos pra aferição. Mas só quis comentar o tom do texto, não discordar do Cadu &#8211; ele mesmo, em seguida, comentou conforme eu já concordava nesse sentido.</p>
<p>2) Não achei que ele foi grosseiro em momento nenhum.</p>
<p>3) Agora sobre a religião: Cadu, o próprio exemplo que você usou é uma dedução que colhe o seu sentido das definições que existem na teologia cristã &#8211; &#8220;o Verbo era Deus&#8221; porque &#8220;No início havia o Verbo e o Verbo estava com Deus&#8221;. Esse &#8220;Deus&#8221; seria outro se lido sob o programa-de-verdade do budismo ou do hinduísmo, e essa afirmação teria outro sentido se não fosse a conseqüência da construção de discurso que começa a se dar desde o começo do Evangelho de João. Isso significa que pra que &#8220;o Verbo era Deus&#8221; seja sequer aferido como verdade, você depende de todo o programa-de-verdade do Cristianismo, sejá lá como você o reconstrua, e com que fontes consideradas.</p>
<p>Mas acho que a questão não é nem essa. Eu precisaria reler o Veyne, mas o que ele faz seria melhor resumido da seguinte maneira: pensar se alguém acredita ou não acredita numa coisa exige que você estude a) como a verdade pode tentar ser afirmada; e b) como as pessoas podem acreditar em uma afirmação de verdade. Que a consideração por b) leve o Veyne a pensar em como as pessoas acreditam na verdade não interfere no fato de que, com relação a a), mesmo a religião dependa de um programa-de-verdade pra afirmar uma verdade. Isso fica claro? São duas coisas diferentes, e a dependência de um programa-de-verdade está relacionado a a), ou seja, a se pensar que a tentativa de se afirmar uma verdade sempre depende, quando falamos no plano da racionalidade discursiva (e não no discurso subjetivo/artístico, por exemplo), de um programa-de-verdade.</p>
<p>Sobre as duas modalidades de crença, elas são bem funcionais ao que o Veyne queria mostrar, porque no fim não é muito fácil separar a crença: não é só na ciência ou nos guias turísticos que você depende de uma fé sobre a experiência de uma outra pessoa, mas na religião isso também é possível, caso você interprete que certa verdade religiosa foi a revelação a que o autor dessa asserção de verdade teve acesso.</p>
<p>Mas é um longo assunto. Só queria separar o a) e b) mesmo, pra que fique claro que a religião, ao formalizar qualquer coisa, também depende de um programa-de-verdade. A parte da crença é posterior a essa questão.</p>
<p>Abraços.<br />
Leonardo</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Cadu Simões</title>
		<link>http://cadusimoes.com/2005/10/a-verdade-nao-existe/comment-page-1/#comment-4541</link>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Nov 2009 22:24:32 +0000</pubDate>
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		<description>Lili, não entendi seu comentário. Você diz que gostou do meu texto, que ele é bem escrito e tudo mais, mas ao mesmo tempo disse que meus comentários beiram a grosseria? Gostaria que vc apontasse onde em meus comentários estou sendo grosseiro, pois sinceramente não sei onde escrevi grosserias.

E o que Paul Veyne diz sobre sua teoria de programas de verdade é justamente o contrário do que você disse. Uma verdade pra ser absoluta não deve ser limitada ou condicionada por um programa de verdade, e pela própria definição de absoluto, deve ser verdade sempre e independente de qualquer outra coisa. Se ela só funciona pra uma programa de verdade específico, e não pra outro, então pela própria definição ela não é absoluta, mas relativa aquele programa de verdade específico.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Lili, não entendi seu comentário. Você diz que gostou do meu texto, que ele é bem escrito e tudo mais, mas ao mesmo tempo disse que meus comentários beiram a grosseria? Gostaria que vc apontasse onde em meus comentários estou sendo grosseiro, pois sinceramente não sei onde escrevi grosserias.</p>
<p>E o que Paul Veyne diz sobre sua teoria de programas de verdade é justamente o contrário do que você disse. Uma verdade pra ser absoluta não deve ser limitada ou condicionada por um programa de verdade, e pela própria definição de absoluto, deve ser verdade sempre e independente de qualquer outra coisa. Se ela só funciona pra uma programa de verdade específico, e não pra outro, então pela própria definição ela não é absoluta, mas relativa aquele programa de verdade específico.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Lili</title>
		<link>http://cadusimoes.com/2005/10/a-verdade-nao-existe/comment-page-1/#comment-4539</link>
		<dc:creator>Lili</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Nov 2009 10:52:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://grilocaverna.homemgrilo.com/2005/10/26/a-verdade-nao-existe/#comment-4539</guid>
		<description>Gostei muito do texto, achei muito bem escrito e muito boa a análise, as comparações, gostei de tudo. Mas os comentários do Cadu beiram a grosseria!  Vim aqui direcionada do post sobre A Lei de Ricbit e o vejo na mesma situação!! Fascinante.
Só explicando: concordo com o Leonardo que, uma vez assumido um &quot;programa de verdade&quot;, as verdades &quot;absolutas&quot; passam a existir. Se estou assistindo ao filme do Superman, é verdade absoluta que ele deve ficar longe da kriptonita! A intenção não é mudar o título, Cadu. Nem iniciar uma guerra. Só uma questão de definição sobre o que seria uma &quot;verdade absoluta&quot;.
Pra quem ainda não leu: http://www.ricbit.com/2009/11/lei-de-ricbit.html</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Gostei muito do texto, achei muito bem escrito e muito boa a análise, as comparações, gostei de tudo. Mas os comentários do Cadu beiram a grosseria!  Vim aqui direcionada do post sobre A Lei de Ricbit e o vejo na mesma situação!! Fascinante.<br />
Só explicando: concordo com o Leonardo que, uma vez assumido um &#8220;programa de verdade&#8221;, as verdades &#8220;absolutas&#8221; passam a existir. Se estou assistindo ao filme do Superman, é verdade absoluta que ele deve ficar longe da kriptonita! A intenção não é mudar o título, Cadu. Nem iniciar uma guerra. Só uma questão de definição sobre o que seria uma &#8220;verdade absoluta&#8221;.<br />
Pra quem ainda não leu: <a href="http://www.ricbit.com/2009/11/lei-de-ricbit.html" rel="nofollow">http://www.ricbit.com/2009/11/lei-de-ricbit.html</a></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Cadu Simões</title>
		<link>http://cadusimoes.com/2005/10/a-verdade-nao-existe/comment-page-1/#comment-4533</link>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 02:43:38 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://grilocaverna.homemgrilo.com/2005/10/26/a-verdade-nao-existe/#comment-4533</guid>
		<description>Não, a regilião não depende de nada pra afirmar uma verdade absoluta, pois se enquadra no primeiro tipo de crença, como diz Paul Veyne, aquele em que a palavra possui ela própria a autoridade do conhecimento que carrega. Nesse tipo de crença se eu afirmo que &quot;o verbo é Deus&quot;, isso é uma verdade absoluta pois não depende de mais nada para ser, seja outras religiões, seja as ciências, seja contradições dentro dessa própria religião, pois essa afirmação se faz por si só. E fim de discussão, não há mais o que argumentar. 

Sendo assim, pra esse tipo de crença, toda a discussão levantada por Paul Veyne sobre programas de verdades é indiferente, e até mesmo inútil, pois não há como se analisar nesses termos sobre algo que tem ela própria a autoridade do conhecimento que carrega, e que não depende de coisas externas a ela para que isso aconteça e que podem ser constatadas por indução, observação, dedução, etc, (sempre, é claro, passando pelo filtro de alguma linguagem).

E perceba que &quot;A&quot; Verdade do título, com a ênfase no artigo definido &quot;a&quot; indica que essa verdade é única e invariável, e portanto se refere a uma &quot;verdade absoluta&quot;. Novamente, é isso que Paul Veyne e toda a galera da Nova História nega, o absoluto. E esse absoluto não existe tanto na idéia de verdade, quanto de falsidade. Para ele, nem mesmo a relatividade pode ser absoluta. Então sempre que vc ler no texto &quot;a verdade&quot;, escrita no singular e acompanhada do artigo definido, troque por &quot;verdade absoluta&quot;, pois é exatamente a isso que Paul Veyne se refere. Para ele não existe &quot;A&quot; verdade única e singular, mas o que existe sim são verdadeS multiplas e plural.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Não, a regilião não depende de nada pra afirmar uma verdade absoluta, pois se enquadra no primeiro tipo de crença, como diz Paul Veyne, aquele em que a palavra possui ela própria a autoridade do conhecimento que carrega. Nesse tipo de crença se eu afirmo que &#8220;o verbo é Deus&#8221;, isso é uma verdade absoluta pois não depende de mais nada para ser, seja outras religiões, seja as ciências, seja contradições dentro dessa própria religião, pois essa afirmação se faz por si só. E fim de discussão, não há mais o que argumentar. </p>
<p>Sendo assim, pra esse tipo de crença, toda a discussão levantada por Paul Veyne sobre programas de verdades é indiferente, e até mesmo inútil, pois não há como se analisar nesses termos sobre algo que tem ela própria a autoridade do conhecimento que carrega, e que não depende de coisas externas a ela para que isso aconteça e que podem ser constatadas por indução, observação, dedução, etc, (sempre, é claro, passando pelo filtro de alguma linguagem).</p>
<p>E perceba que &#8220;A&#8221; Verdade do título, com a ênfase no artigo definido &#8220;a&#8221; indica que essa verdade é única e invariável, e portanto se refere a uma &#8220;verdade absoluta&#8221;. Novamente, é isso que Paul Veyne e toda a galera da Nova História nega, o absoluto. E esse absoluto não existe tanto na idéia de verdade, quanto de falsidade. Para ele, nem mesmo a relatividade pode ser absoluta. Então sempre que vc ler no texto &#8220;a verdade&#8221;, escrita no singular e acompanhada do artigo definido, troque por &#8220;verdade absoluta&#8221;, pois é exatamente a isso que Paul Veyne se refere. Para ele não existe &#8220;A&#8221; verdade única e singular, mas o que existe sim são verdadeS multiplas e plural.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Leonardo T. Oliveira</title>
		<link>http://cadusimoes.com/2005/10/a-verdade-nao-existe/comment-page-1/#comment-4532</link>
		<dc:creator>Leonardo T. Oliveira</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 16:30:14 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://grilocaverna.homemgrilo.com/2005/10/26/a-verdade-nao-existe/#comment-4532</guid>
		<description>Mas a religião não depende do seu próprio sistema de termos, ou seja, da sua própria cosmologia, pra afirmar uma &quot;verdade absoluta&quot;? Ou seja, a própria religião não depende de um contexto, um &quot;programa de verdade&quot;, pra sequer conceber uma verdade? Aí ela entraria nesse esquema tanto quanto qualquer outra coisa, até porque existem várias religiões.

E está tudo certo. O meu comentário era mais pra dizer que antes de se dizer que &quot;a verdade não existe&quot; (é o título do seu texto), o que parece não existir são verdades compatíveis com todo e qualquer paradigma (programa de verdade), e que isso impõe que se haja um consenso antes da aferição de qualquer &quot;verdade&quot;. E que o seu texto era mais sobre isso, sobre a compatibilidade da verdade com programas de verdade, do que com a existência ou não da verdade (em qualquer nível).

Abraços.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Mas a religião não depende do seu próprio sistema de termos, ou seja, da sua própria cosmologia, pra afirmar uma &#8220;verdade absoluta&#8221;? Ou seja, a própria religião não depende de um contexto, um &#8220;programa de verdade&#8221;, pra sequer conceber uma verdade? Aí ela entraria nesse esquema tanto quanto qualquer outra coisa, até porque existem várias religiões.</p>
<p>E está tudo certo. O meu comentário era mais pra dizer que antes de se dizer que &#8220;a verdade não existe&#8221; (é o título do seu texto), o que parece não existir são verdades compatíveis com todo e qualquer paradigma (programa de verdade), e que isso impõe que se haja um consenso antes da aferição de qualquer &#8220;verdade&#8221;. E que o seu texto era mais sobre isso, sobre a compatibilidade da verdade com programas de verdade, do que com a existência ou não da verdade (em qualquer nível).</p>
<p>Abraços.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: Cadu Simões</title>
		<link>http://cadusimoes.com/2005/10/a-verdade-nao-existe/comment-page-1/#comment-4531</link>
		<dc:creator>Cadu Simões</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 21:56:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://grilocaverna.homemgrilo.com/2005/10/26/a-verdade-nao-existe/#comment-4531</guid>
		<description>Leonardo, a matemática é uma linguagem, e que como toda linguagem, está sujeita a interpretações e a consensos, que variam conforme o sistema uitlizado (programas de verdade). Como você disse, 2 + 2 = 4 só é verdadeiro se você estiver usando o sistema decimal padrão, no sistema binário por exemplo, isso já não é verdadeiro. Assim como as leis da física que observamos no macrocosmo não são verdadeiras quando observadas no microcosmo. Portanto a palavras &quot;absoluto&quot; não pode ser aplicado a algo que depende de um sistema ou uma situação específica para ser verdadeiro,  pois isso vai contra a própria definição de absoluto.

Ou seja, mesmo as ciências exatas não podem estipular verdades absolutas e estão sujeitas a programas de verdades. O que elas fazem é trabalhar com coisas que possuam uma probabilidade extremamente alta de acontecer ao ponto de serem encaradas como verdadeiro, mas não como absoluto (do contrário, não seria ciência mas religião). É provável que o sol vá nascer amanhã, pois é o que vem acontecendo há bilhares de ano, mas isso não é uma verdade absoluta (nada impede que algo aconteceça e o sol deixe de nascer amanhã). E se a teoria do multiverso estiver certa, mesmo as leis da física que temos como &quot;absolutas&quot; em nosso universo, podem não ser em outros universos (a velocidade da luz, por exemplo, pode não ser igual e constante em todos os universos).

Enfim, tendo isso em vista, acredito que Paul Veyne esteja certo e que não haja lugar para a verdade absoluta no universo (ou multiverso), mas apenas para programas de verdades que se modificam no espaço, no tempo e nas pessoas.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Leonardo, a matemática é uma linguagem, e que como toda linguagem, está sujeita a interpretações e a consensos, que variam conforme o sistema uitlizado (programas de verdade). Como você disse, 2 + 2 = 4 só é verdadeiro se você estiver usando o sistema decimal padrão, no sistema binário por exemplo, isso já não é verdadeiro. Assim como as leis da física que observamos no macrocosmo não são verdadeiras quando observadas no microcosmo. Portanto a palavras &#8220;absoluto&#8221; não pode ser aplicado a algo que depende de um sistema ou uma situação específica para ser verdadeiro,  pois isso vai contra a própria definição de absoluto.</p>
<p>Ou seja, mesmo as ciências exatas não podem estipular verdades absolutas e estão sujeitas a programas de verdades. O que elas fazem é trabalhar com coisas que possuam uma probabilidade extremamente alta de acontecer ao ponto de serem encaradas como verdadeiro, mas não como absoluto (do contrário, não seria ciência mas religião). É provável que o sol vá nascer amanhã, pois é o que vem acontecendo há bilhares de ano, mas isso não é uma verdade absoluta (nada impede que algo aconteceça e o sol deixe de nascer amanhã). E se a teoria do multiverso estiver certa, mesmo as leis da física que temos como &#8220;absolutas&#8221; em nosso universo, podem não ser em outros universos (a velocidade da luz, por exemplo, pode não ser igual e constante em todos os universos).</p>
<p>Enfim, tendo isso em vista, acredito que Paul Veyne esteja certo e que não haja lugar para a verdade absoluta no universo (ou multiverso), mas apenas para programas de verdades que se modificam no espaço, no tempo e nas pessoas.</p>
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