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Cavaleiros do Apocalipse

Cavaleiros Discworld

Os vultos em torno da mesa ergueram as cartas.
Um deles levantou a mão. Fica na extremidade do braço e tem cinco dedos, disse a mente do dono da taverna. Deve ser mão.
Uma coisa que o cérebro dele não conseguia bloquear era o som das vozes. Aquela ali soava como se alguém estivesse batendo em pedra com uma barra de chumbo.
- PESSOA DO BAR.
O dono da taverna soltou um gemido. As lanças térmicas do pânico abriam caminho nas portas de aço de sua mente.
- VEJAMOS. ESSE ERA… COMO SE CHAMA, MESMO?
- Bloody Mary.
Aquela voz fazia um mero pedido de bebidas parecer declaração de guerra.
- AH, É. E…
- O meu era Martini – Disse Peste.
- UM MARTINI.
- Com azeitona.
- ÓTIMO – mentiu a voz pesada. – PARA MIM, UM VINHO DO PORTO E… – ele fitou o quarto membro do grupo e suspirou – É MELHOR VOCÊ TRAZER OUTRA TIGELA DE AMENDOIM.

(…)

- Guerra?
- Uguê?
- Não tinha alguma coisa? – perguntou Peste, pegando o copo.
- Uguê?
- A gente deveria estar… tem alguma coisa que a gente deveria estar fazendo – disse Fome.
- É verrrdade. Um compromisso.
- O… – Peste fitou o drinque, pensativo. – Negócio.
Em desalento, miraram o balcão. O dono da taverna fugira havia muito tempo. Ainda havia várias garrafas fechadas.
- Quiabo – Sugeriu Fome, afinal. – Era isso.
- Nããã.
- Apos… apóstrofe – arriscou Guerra.
Os outros sacudiram a cabeça. Houve uma pausa demorada.
- O que significa “aprótrafe”? – indagou Peste, contemplando algum mundo particular.
- Adstringente – respondeu Guerra. – Eu acho.
- Então, não é isso.
- Acho que não – concordou Fome, taciturno.
Houve mais um silêncio demorado.
- Melhor tomar outra dose – sugeriu Guerra, endireitando-se na cadeira.
- Tem razão.

(…)

- O apogeu – disse Guerra. – Ou algo assim. Tenho quase certeza.
Eles haviam saído da taverna e estavam sentados num banco, ao sol vespertino. Até Guerra se convencera a tirar parte da armadura.
- Não sei – objetou Fome. – Acho que não.
Peste fehou os olhos incrustados e se recostou nas pedras aquecidas.
- Eu acho – considerou – que era alguma coisa sobre o fim do mundo.
Meditativo, Guerra coçou o queixo. Soltou um soluço.
- Do mundo inteiro? – perguntou.
- Eu acho.
Guerra pensou no assunto.
- Então ficamos de fora – concluiu.

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