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Tempos Modernos

No filme Tempos Modernos, faz uma crítica às transformações sociais e culturais advindas da segunda revolução industrial e o modo de produção fabril nas primeiras décadas do .

O filme começa mostrando Carlitos (personagem de Chaplin) trabalhando como operário numa típica fábrica de linha de montagem. O processo repetitivo do movimento de apertar os parafusos das peças com uma chave de rosca faz com que o personagem fique estressado e passe a repetir aquele movimento o tempo todo. Esta primeira parte do filme possui a cena que certamente é uma das mais brilhantes metáforas da vida moderna. É quando Carlitos atrapalhadamente é sugado para dentro das engrenagens da máquina, uma clara advertência (e porque não dizer também, uma previsão) do que estava acontecendo com o homem, sendo sugado para dentro da maquina do sistema capitalista, se tornando parte dele, mas de uma forma desumana, robótica, como se fosse apenas mais uma de suas engrenagens.

Nas cenas da fabrica percebemos também a crítica que Chaplin faz ao controle do tempo. O homem se torna escravo do relógio, tendo seu tempo exato para o trabalho, e para as pausas, que, aliás, são reduzidas cada vez mais, e até mesmo numa tentativa de eliminá-la por completo, como na cena em que o dono da fábrica faz o teste de uma máquina que permite que seus operário comam enquanto ainda estão trabalhando. É a utilização da tecnologia pra sistematizar cada vez mais o tempo. Outra situação que Chaplin antecipa nesta parte do filme é a constante vigilância. O dono observa tudo o que acontece em sua fabrica através de um sistema interno de vídeo, como se fosse o de .

Sofrendo de stress, Carlitos vai parar numa clínica de reabilitação. Quando sai de lá, encontra uma situação de total desemprego, devido a que se seguiu após a quebra da bolsa em . De volta as ruas, ele acaba acidentalmente sendo confundido com um líder comunista e é preso. Aqui vemos um dos poucos momentos em que a crítica de Chaplin se volta para o ao invés do . Apesar de ter sido acusado diversas vezes de , principalmente durante o , Chaplin não se considerava um comunista, alegando que na verdade era um .

Na prisão temos uma grande ironia. No momento em que será solto, Carlitos diz ao delegado que prefere continuar na prisão. É como se ele se sentisse mais livre lá dentro, do que no mundo lá de fora. Mas ele tem que seguir a regras do sistema, e acaba saindo da prisão.

Lá fora ele irá conhecer uma moça órfã que irá desencadear a segunda parte do filme, onde a crítica se volta para o modo de vida burguês com o seu ideal de família, com o homem provedor, que trabalha fora para sustentar a esposa e os filhos, e a mulher dona de casa, protetora do lar. E aqui também cabe o ideal de casa, recheada com os mais modernos eletrodomésticos.

Esse ideal é alcançado pelos dois protagonistas quando Carlitos vai trabalhar como segurança na loja de departamentos, ainda que de uma forma ilusória. Ali naquela loja estão todos os desejos de consumo do homem e da família moderna. Eletrodomésticos, móveis, e até mesmo os brinquedos, como os patins com que Carlitos se diverte, como se aproveitasse a infância que não pode ter. Eis então que um grupo de assaltantes invade a loja. Um deles, no entanto, é um antigo companheiro de Carlitos na fabrica, e que acabou perdendo seu emprego. Aqui vemos outra crítica de Chaplin, mostrando que o sistema capitalista gera os seus próprios marginais, principalmente porque, por mais contraditório que pareça, aquele que se torna marginal, o faz justamente para poder se ver integrado ao sistema, pois ele possui as mesmas necessidades, e os mesmo desejos de consumo de qualquer outra pessoa. Desejo esse que o sistema capitalista criou nele.

Por fim, Carlitos tenta no final do filme, trabalhando como garçom, mais uma vez se integrar ao modo de vida capitalista. Mas ele, diferente da órfã, não se adapta aquela “vida moderna”. Coincidentemente, ou não, este seria o último filme que Chaplin utilizaria o seu personagem clássico, o que reforça ainda mais a mensagem do fim do filme, de que o mundo de hoje não tem lugar para um venturoso vagabundo.

Dados Técnicos

(dvd tempos modernos) [bb]
DVD Tempos Modernos - Compre Aqui!
Cor: Preto & Branco
Ano de Lançamento: 2004
Recomendação: Livre
Região do DVD: Região 4
Legenda: Inglês, Francês, Espanhol, Português, Chinês, Tailandês, Coreano
Idiomas / Sistema de Som:
Inglês - Dolby Digital 5.1
Francês - Dolby Digital 5.1

Para Saber Mais


Era dos Extremos - Compre Aqui!
Autor: Eric Hobsbawm
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 8571644683
Ano: 2001
Edição: 2
Número de páginas: 632
Acabamento: Brochura
Formato: Médio


1984 - Compre Aqui!
Autor: George Orwell
Editora: Nacional
ISBN: 8504006115
Ano: 2003
Edição: 29
Número de páginas: 302
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

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