Quadrinhos de Cordel
Na minha barraca de fanzines na Feira de Artes, Cultura e Laser de Osasco, tenho o costume de deixar os fanzines pendurados em cordas estendidas pela barraca como se fossem um varal de roupas. Isso sempre acaba gerando a seguinte pergunta das pessoas: “O que é isso? Literatura de Cordel?” Ao que eu prontamente respondo: “Não, é Quadrinhos de Cordel”. =)
Estou com essa barraca de fanzines na feira desde outubro do ano passado, e o que percebi neste poucos mais de três meses é que o público em geral não faz a mínima idéia do que é fanzine e principalmente, de que existe quadrinhos brasileiro além da Turma da Mônica.
Mas isso não é algo ruim não. Pelo menos não de todo ruim. Ao contrário do fã típico de quadrinhos, como os fanboys e os otakus, que não conhecem a produção de quadrinhos brasileira por puro preconceito, esse público da feira não a conhece por simples ignorância mesmo. E quando digo ignorância, não utilizo a palavra no sentido pejorativo. Eles ignoram os quadrinhos brasileiros simplesmente porque nunca antes tiveram contato com isso.
Cabe então apresentar esses quadrinhos a eles. O que é uma tarefa muito mais fácil do que apresentar quadrinhos brasileiros aos fanboys, pois como eu disse, diferente desses, o público em geral não possui um preconceito enraizado em si, e aceita o que é novo muito mais facilmente do que o cara que só lê Marvel e DC.
Essa é na minha humilde opinião a saída pro quadrinhos brasileiro. É criar público novo. Esqueçam os fanboys e os otakus. Esses aí já são casos perdidos. Você quadrinistas independente deve se focar no público em geral. Mas cabe aqui uma ressalva. Focar no público geral não quer dizer que você não possa fazer histórias para um público de nicho. Pelo contrário. Não só pode como deve. Mas nunca se limite apenas a quem já é leitor de quadrinhos. Lembre-se, é preciso criar público novo. Se você meu amigo quadrinistas fizer isso, estará conseguindo uma proeza que nem mesmo as grandes editoras mais conseguem fazer.
E é o que venho tentando fazer na minha barraca de fanzines. O Homem-Grilo tem agora uma parcela de leitores que antes nem sequer tinham o hábito de ler quadrinhos. Se me dissessem há um tempo atrás que meu personagem seria capaz de criar novos leitores de quadrinhos, nem eu mesmo acreditaria. E ainda mais novos leitores entre as crianças. Mas abordarei essa questão com mais detalhes em um post futuro.
Nessa foto acima você vê ao fundo o Ricardo Marcelino, o co-criador do Homem-Grilo, desenhando enquanto as pessoas o observam. Como você podem ver, o Ricardo não é um produto da minha imaginação como muito gente alega. Ele realmente existe e neste ano ele voltará a ativa para podermos lançar a revista em quadrinhos do Homem-Grilo (assim pelo menos eu espero).
Pra conferir mais fotos da minha barraca de fanzines, acessem meu álbum de fotos no flickr.
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